O adenocarcinoma gástrico é o tipo mais comum de câncer de estômago. Ele se origina nas células glandulares do revestimento do estômago e, quando diagnosticado precocemente, as chances de sucesso no tratamento são muito maiores. Hoje, existem diferentes abordagens terapêuticas, desde cirurgias até imunoterapia, que podem ser personalizadas de acordo com o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.
Neste artigo, você vai entender quais são as principais opções de tratamento para o adenocarcinoma gástrico, como funcionam e em quais situações cada uma é indicada.
O que é adenocarcinoma gástrico?
O adenocarcinoma gástrico é o tipo mais comum de câncer que se origina no
estômago. Ele surge a partir das células responsáveis pela produção de muco na mucosa gástrica. No Brasil, esse tipo representa aproximadamente
95% dos tumores malignos do estômago, segundo o
Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Os principais fatores de risco incluem a infecção por Helicobacter pylori, consumo de alimentos processados, tabagismo, histórico familiar da doença e condições como a metaplasia intestinal.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Em seus estágios iniciais, o adenocarcinoma gástrico costuma não causar sintomas, o que dificulta sua detecção. Quando os sinais aparecem, como dor abdominal, perda de peso sem motivo aparente, náuseas, anemia e sensação precoce de saciedade, muitas vezes a doença já está avançada.
A
endoscopia digestiva alta com biópsia continua sendo o exame mais indicado para diagnóstico precoce, especialmente em pacientes com fatores de risco. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e PET-CT, ajudam a entender a extensão da doença e guiar a melhor abordagem terapêutica.
Como o tratamento do adenocarcinoma gástrico é definido?
O tratamento depende de diversos fatores: estágio do tumor, localização, presença de metástases e condições clínicas do paciente. A abordagem é sempre multidisciplinar, envolvendo cirurgiões do aparelho digestivo, oncologistas, radioterapeutas, nutricionistas e equipe de apoio.
Cirurgia e Endoscopia
Quando o tumor está restrito ao estômago, a cirurgia é considerada a principal chance de cura.
Em casos muito iniciais,
quando o câncer está limitado às camadas mais superficiais da mucosa gástrica, o tratamento pode ser realizado por meio de ressecção endoscópica, sem necessidade de cirurgia convencional.
Conheça os tipos de cirurgia:
- Gastrectomia subtotal: remoção parcial do estômago, indicada quando o tumor está no terço inferior.
- Gastrectomia total: retirada completa do estômago, recomendada para tumores maiores ou localizados no terço superior.
- Linfadenectomia: retirada de linfonodos próximos, essencial para reduzir o risco de recidiva.
- Reconstrução digestiva: procedimento necessário para manter a digestão após a retirada do estômago.
A cirurgia com margens livres e adequada linfadenectomia é um dos principais fatores que impactam a sobrevida do paciente.
Quimioterapia: Antes e depois da cirurgia
A quimioterapia é frequentemente usada em
conjunto
com a cirurgia:
Neoadjuvante (antes da cirurgia): para diminuir o tamanho do tumor e facilitar sua retirada.
Adjuvante (após a cirurgia): para eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes.
Paliativa: para casos avançados, com o objetivo de aliviar sintomas e prolongar a qualidade de vida.
Entre os esquemas mais utilizados estão combinações de fluorouracil, cisplatina, oxaliplatina e docetaxel.
Radioterapia
A radioterapia pode ser indicada em associação à quimioterapia, especialmente em tumores localmente avançados. Seu objetivo é
reduzir o risco de recidiva local, melhorando o controle da doença em longo prazo.
Terapias-alvo
Nos últimos anos, avanços importantes têm permitido a personalização do tratamento com drogas que atuam diretamente nas
características genéticas
do tumor:
Trastuzumabe:
indicado para tumores com expressão do receptor HER2.
Ramucirumabe:
age bloqueando os vasos sanguíneos que alimentam o tumor (angiogênese).
Inibidores de tirosina quinase: em estudo para subgrupos com mutações específicas.
Essas opções dependem de testes moleculares realizados no tumor e podem ser combinadas a outros tratamentos.
Imunoterapia: ativando o sistema de defesa
Pacientes com adenocarcinoma gástrico avançado e que apresentam certos biomarcadores, como instabilidade de microssatélites ou expressão de PD-L1, podem se beneficiar da imunoterapia.
Medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe estimulam o sistema imune a reconhecer e atacar as células tumorais. Em alguns casos, têm sido usados como parte do tratamento de primeira linha em doenças metastáticas.
Abordagem em casos avançados ou metastáticos
Quando a doença se espalha para outros órgãos, o objetivo do tratamento muda. Nesses casos, busca-se
controle
da progressão tumoral,
alívio
dos sintomas e
preservação
da qualidade de vida.
As principais abordagens incluem:
- Quimioterapia sistêmica com ou sem terapias-alvo
- Imunoterapia, quando indicada por perfil molecular
- Cirurgias paliativas, como gastrostomias ou colocação de stents para desobstrução do trato digestivo
- Suporte nutricional e acompanhamento psicológico
O papel dos cuidados de suporte
A jornada de tratamento vai além dos procedimentos oncológicos. Acompanhamento nutricional individualizado é essencial para evitar desnutrição, comum nesses pacientes. O apoio psicológico também é parte importante do cuidado integral.
Equipes bem integradas, com foco na
humanização, fazem a diferença na experiência do paciente e nos resultados clínicos.
Prognóstico: Quanto antes, melhor
O estágio da doença no momento do diagnóstico é o principal fator que define o prognóstico. De acordo com a American Cancer Society, a taxa de sobrevida em 5 anos pode ultrapassar 70% nos casos
diagnosticados precocemente
e submetidos à cirurgia. No entanto, em fases mais avançadas, essa taxa pode cair para menos de 30%.
Isso reforça a importância de
prestar atenção aos sintomas e realizar exames periódicos quando há fatores de risco.
Restou alguma dúvida?
O que é adenocarcinoma gástrico?
O adenocarcinoma gástrico é o tipo mais comum de câncer de estômago, originado nas células produtoras de muco da mucosa gástrica. Ele corresponde a cerca de 95% dos tumores malignos do estômago no Brasil.
O adenocarcinoma gástrico é perigoso?
Sim. É uma doença grave, com potencial de crescimento rápido e risco de metástases, especialmente quando não diagnosticada precocemente.
Adenocarcinoma gástrico tem cura?
Sim, quando detectado precocemente e tratado de forma adequada, o adenocarcinoma gástrico pode ser curado, geralmente com cirurgia associada a outros tratamentos.
Quais as chances de cura do adenocarcinoma gástrico?
As chances variam conforme o estágio da doença. Em casos localizados, a taxa de sobrevida em 5 anos pode chegar a 70%, mas cai para menos de 30% em estágios avançados.
Qual é o prognóstico do adenocarcinoma gástrico?
O prognóstico depende do estágio no diagnóstico, da resposta ao tratamento e das condições clínicas do paciente. Diagnóstico precoce e abordagem multidisciplinar aumentam significativamente as chances de sucesso.
Quais são as principais opções de tratamento para o adenocarcinoma gástrico?
As principais abordagens incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. A escolha depende do estágio da doença, localização do tumor e condições clínicas do paciente.
A cirurgia é sempre indicada no adenocarcinoma gástrico?
A cirurgia é o principal tratamento curativo quando o tumor está localizado e ressecável. Em tumores muito iniciais, restritos à mucosa, pode ser possível realizar tratamento por ressecção endoscópica, evitando uma cirurgia maior. Em casos avançados ou metastáticos, pode ser usada com finalidade paliativa para aliviar sintomas.
Quando a quimioterapia é indicada no câncer gástrico?
A quimioterapia pode ser usada antes da cirurgia (neoadjuvante), depois (adjuvante) ou como tratamento principal em casos metastáticos. Ela ajuda a reduzir o tumor e combater células cancerígenas restantes.
Qual é o papel da radioterapia no tratamento do adenocarcinoma gástrico?
A radioterapia é usada com menos frequência, mas pode ser indicada em combinação com a quimioterapia para melhorar o controle local da doença ou aliviar sintomas como sangramentos e obstruções.
É possível tratar o adenocarcinoma gástrico sem cirurgia?
Sim, especialmente em casos avançados, onde a cirurgia não é viável. Nesses casos, combinações de quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia são as principais estratégias para controle da doença.
Existe um momento ideal para iniciar o tratamento após o diagnóstico?
Quanto mais cedo o tratamento for iniciado após o diagnóstico e estadiamento correto, melhores as chances de controle e cura. A demora pode permitir a progressão do tumor, reduzindo as opções terapêuticas.
O que é linfadenectomia e por que ela é importante na cirurgia?
É a remoção dos linfonodos ao redor do estômago. Ela ajuda a reduzir o risco de recidiva local e fornece dados essenciais para definir o estágio real da doença, o que impacta no prognóstico e no tratamento complementar.
Cirurgião do Aparelho Digestivo | Dr. Guilherme Namur
O adenocarcinoma gástrico é uma doença grave, mas
tratável, especialmente quando diagnosticada precocemente. As opções vão desde cirurgias potencialmente curativas até terapias-alvo e imunoterapias modernas que aumentam a sobrevida em casos avançados. O acompanhamento com uma equipe multidisciplinar é essencial para personalizar o tratamento e oferecer mais qualidade de vida.
Se você tem fatores de risco para câncer de estômago ou recebeu esse diagnóstico,
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Artigo escrito por
Dr. Guilherme Namur
Cirurgia do Aparelho Digestivo
O Dr. Guilherme Namur é Cirurgião do Aparelho Digestivo formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Cirurgia Geral e Digestiva pelo Hospital das Clínicas. Atua com foco no tratamento de cânceres do aparelho digestivo, especialmente em cirurgia pancreática de alta complexidade, além de ser referência em técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, sempre aliado a um cuidado preciso e humanizado com seus pacientes.



