O que causa cirrose hepática?
Guilherme Namur • 20 de janeiro de 2026

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que afeta o fígado, comprometendo sua capacidade de funcionar de forma adequada. Essa doença se desenvolve a partir de lesões repetidas no fígado que, com o tempo, resultam em fibrose e substituição do tecido saudável por tecido cicatricial. Mas afinal, o que causa cirrose hepática?


Neste artigo, você vai descobrir os principais fatores responsáveis por essa condição, como ela se manifesta e quais medidas podem ser adotadas para prevenir ou retardar sua evolução.
Continue a leitura para entender como proteger sua saúde hepática.


O que é a cirrose hepática?


A cirrose é uma
consequência de doenças crônicas que afetam o fígado de forma contínua. Com o passar do tempo, o órgão vai perdendo sua estrutura normal e formando cicatrizes — um processo chamado de fibrose hepática. Essas alterações comprometem o funcionamento do fígado e podem levar a complicações graves, como insuficiência hepática, acúmulo de líquido no abdômen (ascite), sangramentos, hipertensão portal e até câncer no fígado.


O fígado é essencial para o bom funcionamento do organismo. Entre suas funções estão:


  • Metabolizar nutrientes, medicamentos e toxinas
  • Produzir proteínas como a albumina e os fatores de coagulação
  • Armazenar vitaminas, ferro e glicose
  • Produzir bile, fundamental para a digestão de gorduras


Quando a cirrose se instala, essas funções ficam
comprometidas, o que pode afetar vários sistemas do corpo.


O que causa cirrose hepática?


A cirrose não é uma doença única, mas o estágio final comum de diferentes doenças hepáticas que causam
agressão contínua ao fígado. Entender o que causa cirrose hepática é o primeiro passo para prevenir e tratar a tempo.


Confira abaixo as principais causas da cirrose


Consumo excessivo de álcool


O uso abusivo e prolongado de bebidas alcoólicas é uma das causas mais frequentes de cirrose. O álcool agride diretamente as células do fígado, provocando
inflamação e fibrose. O risco é maior quando o consumo é diário e em grandes quantidades — a partir de 60g de álcool por dia em homens e 20g em mulheres (equivalente a 5 e 2 doses, respectivamente, segundo a OMS).


Hepatites virais crônicas (B e C)


As hepatites B e C podem evoluir de forma silenciosa por muitos anos, até causar cirrose. Mesmo sem sintomas,
o vírus mantém a inflamação ativa, o que danifica o fígado progressivamente.


Esteatose hepática


Conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), está relacionada ao
acúmulo de gordura no fígado, geralmente em pessoas com sobrepeso, diabetes ou resistência à insulina. Quando a gordura inflama o fígado, pode evoluir para esteato-hepatite e, mais adiante, para cirrose.


Doenças autoimunes


Algumas doenças em que
o próprio sistema imunológico ataca o fígado — como a hepatite autoimune, a colangite biliar primária e a colangite esclerosante primária — também podem provocar cirrose com o tempo.


Distúrbios genéticos e metabólicos


Condições hereditárias como hemocromatose (excesso de ferro), doença de Wilson (acúmulo de cobre) e deficiência de alfa-1 antitripsina também são causas conhecidas de cirrose, embora menos frequentes.


Exposição prolongada a medicamentos ou toxinas


Certos remédios, suplementos ou produtos químicos tóxicos, quando usados de forma contínua, podem danificar o fígado de forma progressiva, levando à formação de cicatrizes.


Como a cirrose se desenvolve?


A cirrose hepática
progride lentamente, podendo levar anos até que surjam sintomas. Ela é dividida em dois estágios principais:


  1. Cirrose compensada: o fígado ainda consegue manter suas funções. Nessa fase, a doença pode passar despercebida, sem sinais evidentes.
  2. Cirrose descompensada: é quando o fígado já não consegue mais cumprir suas funções básicas. É nessa fase que surgem complicações clínicas mais evidentes e perigosas.


Quais são os sintomas da cirrose?


A cirrose pode ser silenciosa por muito tempo. Quando os sintomas aparecem, é sinal de que
o fígado já está bastante comprometido. Os sinais mais comuns incluem:


  • Fadiga constante e fraqueza
  • Perda de apetite e emagrecimento
  • Inchaço abdominal ou sensação de estufamento
  • Náuseas e mal-estar
  • Pele e olhos amarelados (icterícia)
  • Coceira na pele
  • Ascite (acúmulo de líquido no abdômen)
  • Surgimento fácil de hematomas e sangramentos
  • Confusão mental, sonolência e, em casos graves, coma hepático


Cirrose tem cura?


A cirrose, por definição, é um estágio irreversível da doença hepática. No entanto,
é possível interromper sua progressão e até regredir parte da fibrose se a causa for identificada e tratada a tempo — especialmente em fases mais iniciais.


Nos casos mais avançados, o transplante de fígado pode ser a única forma de restaurar a função hepática e oferecer uma nova chance ao paciente.


Como prevenir a cirrose hepática?


Prevenir a cirrose é possível e depende, em grande parte, de
cuidar do fígado antes que ele seja comprometido de forma grave. As principais medidas incluem:


  • Vacinar-se contra a hepatite B
  • Tratar adequadamente a hepatite C
  • Evitar o uso excessivo de álcool
  • Controlar o peso, o colesterol e a glicemia
  • Praticar atividade física regularmente
  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em vegetais e pobre em gorduras ruins
  • Evitar o uso indiscriminado de medicamentos ou suplementos sem orientação médica


Essas atitudes ajudam a
manter o fígado saudável e a reduzir o risco de doenças que podem evoluir para cirrose.


Restou alguma dúvida?


  • O que leva uma pessoa a ter cirrose hepática?

    A cirrose é causada por danos contínuos ao fígado, geralmente provocados por hepatites virais, álcool em excesso, gordura no fígado, doenças autoimunes ou distúrbios genéticos.


  • Qual o maior causador de cirrose?

    O consumo excessivo e prolongado de álcool ainda é a causa mais comum de cirrose no mundo, seguido pelas hepatites virais crônicas e pela esteatose hepática associada à obesidade e diabetes.


  • O que vem antes da cirrose hepática?

    A inflamação crônica do fígado, chamada hepatite, e a fibrose hepática são os estágios anteriores à cirrose. Eles indicam que o fígado está sofrendo, mas ainda tem chance de recuperação.


  • Qual o primeiro sinal de cirrose?

    O primeiro sinal pode ser o cansaço constante, acompanhado de perda de apetite, inchaço abdominal leve ou exames alterados, mesmo antes de sintomas evidentes surgirem.


  • Como é a barriga de quem tem cirrose hepática?

    A barriga pode ficar aumentada e endurecida devido ao acúmulo de líquido no abdômen, condição chamada ascite. Esse é um sinal típico da fase descompensada da cirrose.


  • Onde é a dor da cirrose?

    A dor costuma surgir na parte superior direita do abdômen, onde fica o fígado, podendo ser contínua ou em forma de pressão, especialmente em fases mais avançadas.


  • Qual exame detecta cirrose?

    A cirrose pode ser detectada por exames de imagem como ultrassonografia, elastografia hepática (Fibroscan®), tomografia ou ressonância. Exames de sangue também ajudam na investigação.


  • Quantos anos vive uma pessoa com cirrose hepática?

    A sobrevida varia conforme o estágio da doença e o tratamento. Pacientes com cirrose compensada podem viver muitos anos com controle adequado; já na forma descompensada, a expectativa pode cair para menos de 5 anos sem transplante.


  • A cirrose hepática pode levar à morte?

    Sim. Se não for tratada, a cirrose pode evoluir para falência hepática, sangramentos graves, infecções ou câncer no fígado, levando à morte em estágios avançados.


  • O que fazer para não ter cirrose hepática?

    Evitar o consumo excessivo de álcool, vacinar-se contra hepatite B, tratar a hepatite C, controlar o peso e doenças metabólicas, praticar atividade física e não tomar medicamentos sem orientação médica são atitudes eficazes na prevenção.


  • Beber álcool com moderação pode causar cirrose?

    O consumo moderado dificilmente leva à cirrose em pessoas saudáveis, mas o risco aumenta com o tempo e frequência. Em pessoas com outras doenças hepáticas, mesmo o uso moderado pode acelerar o dano ao fígado.


Cirurgião do Aparelho Digestivo | Dr. Guilherme Namur


Entender o que causa cirrose hepática é essencial para prevenir uma das doenças mais graves que podem afetar o fígado. O diagnóstico precoce, aliado ao controle das causas e mudanças no estilo de vida, pode evitar a progressão da doença e preservar a saúde hepática. Se você tem fatores de risco ou sintomas relacionados ao fígado,
procure um especialista o quanto antes.


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Dr. Guilherme Namur, Cirurgião do Aparelho Digestivo que une especialização na melhor universidade do país, rigor clínico e experiência cirúrgica em prol do bem-estar de pacientes. Agende sua consulta!


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Artigo escrito por

Dr. Guilherme Namur

Cirurgia do Aparelho Digestivo


O Dr. Guilherme Namur é Cirurgião do Aparelho Digestivo formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Cirurgia Geral e Digestiva pelo Hospital das Clínicas. Atua com foco no tratamento de cânceres do aparelho digestivo, especialmente em cirurgia pancreática de alta complexidade, além de ser referência em técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, sempre aliado a um cuidado preciso e humanizado com seus pacientes.

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