Conheça as principais doenças do pâncreas e seus tratamentos
Guilherme Namur • 17 de janeiro de 2024

Atualizado em 23/10/2026

Por Dr. Guilherme Namur, cirurgião do aparelho digestivo, CRM-SP: 124.956 RQE: 67002


O pâncreas é um órgão vital que desempenha funções importantes na digestão e no controle da glicose no sangue. As doenças do pâncreas incluem condições inflamatórias, císticas, autoimunes, metabólicas e tumorais, com sintomas e tratamentos diferentes. Este artigo explora as principais doenças pancreáticas, seus sintomas, tratamentos e medidas preventivas. Continue lendo para entender melhor essas condições.


Quais são as principais doenças do pâncreas?


Entre as principais doenças do pâncreas estão a pancreatite aguda, a pancreatite crônica, a insuficiência pancreática exócrina, os cistos pancreáticos, a pancreatite autoimune e os tumores pancreáticos. Algumas doenças também podem comprometer a produção de insulina e provocar diabetes pancreatogênico.


O que é a pancreatite aguda?


A pancreatite aguda é uma inflamação de início súbito do pâncreas. A intensidade pode variar de quadros leves, que melhoram em poucos dias, a formas graves, com necrose, infecção ou comprometimento de outros órgãos. A presença de dor abdominal intensa e persistente exige avaliação médica rápida.


O pâncreas desempenha duas funções principais no corpo: produzir enzimas pancreáticas que ajudam na digestão e secretar hormônios, como a insulina, que regulam o metabolismo do açúcar. Na pancreatite aguda, as enzimas que deveriam ser liberadas no intestino delgado para auxiliar na digestão começam a agir dentro do próprio pâncreas. Isso leva à autodigestão do órgão, causando inflamação e, em casos graves, danos ao tecido pancreático.


Esse processo envolve ativação inadequada de enzimas digestivas, resposta inflamatória e alterações na circulação do tecido pancreático. A extensão da inflamação e a presença de falência de órgãos ajudam a determinar a gravidade do quadro.


As causas mais comuns da pancreatite aguda incluem cálculos biliares, que podem bloquear o ducto pancreático, e o consumo excessivo de álcool, que pode irritar o pâncreas. Outras causas menos comuns podem incluir infecções, lesões, certos medicamentos e anormalidades genéticas.


Outras possíveis causas incluem níveis muito elevados de triglicérides, aumento do cálcio no sangue, trauma abdominal, alterações anatômicas, doenças autoimunes e pancreatite após procedimentos endoscópicos nas vias biliares. Em parte dos pacientes, a causa não é identificada na avaliação inicial.


Sintomas da pancreatite aguda


Os sintomas da pancreatite aguda podem variar em gravidade, e os mais comuns são:


  • Dor abdominal intensa: Este é frequentemente o primeiro sintoma. A dor geralmente começa na parte superior do abdômen e pode irradiar para as costas. Pode ser uma dor constante e tornar-se mais intensa após as refeições ou ao deitar-se. A dor pode ser tão severa que requer medicação para alívio.
  • Náusea e vômito: A inflamação do pâncreas pode afetar o sistema digestivo, levando a náuseas persistentes e vômitos, o que pode complicar ainda mais a condição do paciente.
  • Febre: Pode ocorrer em decorrência da resposta inflamatória do organismo. A presença de febre não confirma infecção, mas deve ser avaliada junto com exames, evolução clínica e outros sinais.
  • Aumento da frequência cardíaca: A inflamação e a dor podem levar a um aumento da frequência cardíaca.
  • Inchaço e sensibilidade abdominal: O abdômen pode tornar-se inchado e sensível ao toque, o que pode ser um sinal de que a inflamação está afetando outros órgãos abdominais.
  • Alterações intestinais: Náuseas, vômitos e redução temporária do funcionamento intestinal podem acompanhar a pancreatite aguda. Fezes gordurosas e perda persistente de peso são mais sugestivas de comprometimento pancreático crônico ou insuficiência pancreática exócrina.
  • Desconforto respiratório: Em casos mais graves, a Pancreatite Aguda pode afetar os pulmões, levando a dificuldades respiratórias.


Quando procurar atendimento de urgência?


Dor intensa e contínua na parte superior do abdômen, principalmente quando acompanhada de vômitos persistentes, febre, desmaio, confusão, falta de ar, pele amarelada ou redução da pressão arterial, deve ser avaliada em um serviço de urgência.


É vital reconhecer que esses sintomas podem ser indicativos de outras condições médicas, e somente um profissional de saúde pode fazer um diagnóstico preciso. Se você ou alguém que você conhece está experimentando esses sintomas, é crucial procurar atendimento médico imediatamente.


Como é feito o diagnóstico da pancreatite aguda?


O diagnóstico considera os sintomas, o exame físico e a dosagem de enzimas pancreáticas no sangue, principalmente a lipase. Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância, podem ser solicitados para investigar a causa, avaliar complicações ou esclarecer casos em que o diagnóstico permanece incerto.


Tratamento da pancreatite aguda


O tratamento da pancreatite aguda necessita de uma resposta médica rápida e coordenada para aliviar os sintomas e evitar sérias complicações. A abordagem do tratamento pode variar dependendo da causa e da gravidade da condição. Os principais aspectos do tratamento são:


  • Hospitalização: A Pancreatite Aguda geralmente requer hospitalização. O período de internação pode variar de alguns dias a várias semanas, dependendo da gravidade da condição.
  • Hidratação e controle dos sintomas: O tratamento pode incluir reposição de líquidos pela veia, medicamentos para dor e náusea, correção de alterações metabólicas e monitoramento das funções renal, respiratória e cardiovascular. A quantidade de líquidos deve ser individualizada para evitar tanto desidratação quanto sobrecarga.
  • Alimentação conforme a tolerância: O jejum prolongado não é indicado de forma rotineira. Nos casos leves, a alimentação oral pode ser retomada precocemente, conforme a melhora da dor, das náuseas e dos vômitos. Quando o paciente não consegue se alimentar pela boca, a nutrição pelo trato gastrointestinal costuma ser preferida à nutrição exclusivamente intravenosa.
  • Tratamento das causas subjacentes: Se a Pancreatite Aguda for causada por cálculos biliares ou outra condição subjacente, o tratamento adicional pode ser necessário para resolver essas questões. Isso pode incluir a remoção cirúrgica dos cálculos biliares ou o tratamento de outras doenças que possam ter contribuído para a inflamação do pâncreas.
  • Tratamento de complicações: A presença de necrose não significa que uma cirurgia será imediatamente necessária. Coleções, necrose infectada ou outras complicações podem ser tratadas com antibióticos em situações selecionadas, drenagem endoscópica ou percutânea e, quando necessário, cirurgia. A escolha e o momento da intervenção dependem da evolução do paciente.


A orientação e o cuidado contínuos de profissionais de saúde especializados são essenciais para uma recuperação bem-sucedida e para minimizar o risco de complicações futuras.


O que é a pancreatite crônica?


A pancreatite crônica é uma inflamação progressiva e de longo prazo que pode levar a danos permanentes no pâncreas.


Qual é a diferença entre pancreatite aguda e pancreatite crônica


A pancreatite aguda começa repentinamente e pode regredir sem deixar danos permanentes. A pancreatite crônica envolve alterações estruturais progressivas e irreversíveis, que podem prejudicar a digestão e a produção de hormônios. Uma pessoa também pode apresentar episódios repetidos de pancreatite aguda antes de desenvolver a forma crônica.


O consumo prolongado de álcool e o tabagismo estão entre os fatores associados à pancreatite crônica. A doença também pode estar relacionada a alterações genéticas, pancreatite autoimune, obstruções dos ductos pancreáticos, episódios recorrentes de pancreatite aguda e outras condições. Em alguns pacientes, não é possível identificar uma causa específica.


Sintomas da pancreatite crônica


Os sintomas da pancreatite crônica podem ser sutis no início, mas tendem a se agravar com o tempo. Eles incluem:


  • Dor Abdominal: A dor pode ser constante ou intermitente e geralmente ocorre na parte superior do abdômen.
  • Má Digestão: A diminuição da produção de enzimas pancreáticas pode levar à má digestão, resultando em perda de peso e fezes gordurosas.
  • Insuficiência pancreática exócrina: Quando o pâncreas deixa de produzir ou liberar enzimas em quantidade suficiente, podem surgir distensão abdominal, excesso de gases, diarreia, fezes oleosas e malcheirosas, perda de peso e deficiência de vitaminas. Os sintomas podem aparecer gradualmente e não estão presentes em todos os pacientes.
  • Diabetes: A pancreatite crônica pode afetar a produção de insulina, levando ao desenvolvimento de diabetes.


Tratamento da Pancreatite Crônica


O tratamento da Pancreatite Crônica é focado em aliviar os sintomas, evitar complicações e tratar as causas subjacentes. Isso pode incluir:


  • Gestão da Dor: Medicamentos podem ser prescritos para controlar a dor.
  • Enzimas Pancreáticas: Suplementos de enzimas podem ser necessários para auxiliar na digestão. As enzimas pancreáticas são utilizadas durante as refeições e os lanches para favorecer a digestão e a absorção de nutrientes. A dose depende da quantidade e da composição dos alimentos, da resposta clínica e da persistência de sintomas como fezes gordurosas e perda de peso.
  • Orientação nutricional: A alimentação deve ser individualizada conforme os sintomas, o estado nutricional, a presença de diabetes e a capacidade de digestão. Restrições excessivas de gordura não devem ser adotadas sem orientação, pois podem agravar a perda de peso. Em alguns casos, o uso correto de enzimas permite uma alimentação mais completa.
  • Evitar álcool e tabaco: Abster-se de álcool e tabaco é vital para prevenir mais danos ao pâncreas.
  • Cirurgia: Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para remover tecidos danificados ou bloqueios.


A detecção e o tratamento precoces são essenciais para gerenciar a condição efetivamente e prevenir complicações graves.


O que é insuficiência pancreática exócrina?


A insuficiência pancreática exócrina ocorre quando o pâncreas
não fornece enzimas digestivas em quantidade suficiente para que o intestino digira e absorva adequadamente os alimentos. Pode ser consequência de pancreatite crônica, câncer, cirurgia pancreática e outras condições.


Os sintomas mais comuns incluem diarreia, distensão abdominal, gases, cólicas, fezes oleosas e malcheirosas e perda de peso. Algumas pessoas também apresentam deficiência de vitaminas lipossolúveis, fraqueza ou perda de massa muscular.


O diagnóstico considera os sintomas, o histórico clínico e exames de fezes, sangue ou função pancreática. O principal tratamento é a
reposição de enzimas pancreáticas durante as refeições e os lanches. Também podem ser necessários acompanhamento nutricional, reposição de vitaminas e tratamento da doença que causou a insuficiência.


Cisto no pâncreas é sempre câncer?


Não. Existem diferentes tipos de cistos pancreáticos, e
muitos são benignos ou apresentam baixo risco de transformação. Outros, como determinadas neoplasias mucinosas, precisam de acompanhamento porque podem apresentar potencial de malignidade.


A avaliação considera o tamanho, o crescimento, a presença de nódulos ou áreas sólidas, a dilatação do ducto pancreático, os sintomas e o histórico do paciente. Dependendo dessas características, a conduta pode envolver acompanhamento com exames de imagem, ecoendoscopia com coleta de material ou cirurgia.


Nem todo cisto precisa ser retirado. A decisão deve considerar o risco da lesão, as condições clínicas do paciente e os possíveis benefícios e riscos do procedimento.


Pancreatite Autoimune


A pancreatite autoimune é uma forma menos comum de inflamação do pâncreas relacionada à atividade inadequada do sistema imunológico. Pode causar icterícia, aumento do pâncreas, perda de peso e alterações nos exames de imagem semelhantes às encontradas em tumores.


O diagnóstico exige avaliação cuidadosa e pode envolver exames de sangue, métodos de imagem, análise de outros órgãos e, em situações selecionadas, biópsia.
A condição não deve ser diagnosticada com base em apenas um resultado.


O tratamento frequentemente envolve medicamentos corticosteroides, mas somente após a avaliação adequada e a exclusão de outras causas, especialmente câncer pancreático.



Câncer de pâncreas


O que é o câncer de pâncreas


O câncer de pâncreas é um tipo de câncer que se origina no pâncreas, sendo uma das formas mais letais de câncer, principalmente porque é frequentemente diagnosticado em estágios avançados.


Os tumores que surgem no pâncreas não formam um único grupo. O adenocarcinoma ductal é o tipo mais frequente de câncer pancreático e começa, geralmente, nas células dos ductos. Os tumores neuroendócrinos pancreáticos são menos comuns, surgem nas células produtoras de hormônios e possuem características e tratamentos diferentes.


Existem dois tipos principais de câncer de pâncreas:


  • Adenocarcinoma ductal pancreático: Este é o tipo mais comum de câncer no pâncreas e se origina nas células que revestem os ductos pancreáticos. Representa cerca de 85% de todos os casos de câncer de pâncreas.
  • Tumores neuroendócrinos pancreáticos (PNETs): Estes são menos comuns e se originam nas células produtoras de hormônios do pâncreas.


Sintomas do Câncer de Pâncreas


Os sintomas do câncer de pâncreas muitas vezes não aparecem até que a doença esteja em um estágio avançado, sendo eles:


  • Dor Abdominal: Especialmente na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas.
  • Icterícia: é caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos.
  • Perda de Peso Inexplicada: Muitas vezes acompanhada de falta de apetite.
  • Alterações nas Fezes: Fezes pálidas, gordurosas ou flutuantes.


Outros possíveis sinais incluem urina escura, coceira no corpo, náuseas, redução do apetite, cansaço e surgimento ou piora recente do diabetes. Algumas pessoas podem apresentar trombose sem uma causa evidente. Esses achados não confirmam câncer, mas justificam investigação quando são persistentes ou aparecem em conjunto.

 

Como o câncer de pâncreas é diagnosticado?


A investigação pode incluir tomografia com protocolo específico para o pâncreas, ressonância, ecoendoscopia e biópsia. Após a confirmação, os exames também avaliam se o tumor está restrito ao pâncreas, se envolve vasos próximos ou se apresenta metástases. Essa classificação é fundamental para definir o tratamento.


Tratamento do câncer de pâncreas


O tratamento do câncer de pâncreas depende do tipo, estágio e localização do tumor, bem como da saúde geral do paciente. As opções de tratamento podem ser:


  • Cirurgia: A cirurgia é considerada principalmente quando o tumor pode ser removido por completo e o paciente possui condições clínicas para o procedimento. A localização do tumor, o contato com vasos sanguíneos importantes, a presença de metástases e a resposta a tratamentos anteriores influenciam essa decisão.
  • Quimioterapia: Usada para destruir ou controlar o crescimento das células cancerígenas. Em determinados casos, a quimioterapia pode ser realizada antes da cirurgia.
  • Radioterapia: Utilizada para eliminar células cancerígenas ou reduzir o tamanho do tumor.
  • Terapias direcionadas e testes moleculares: Alguns pacientes podem apresentar alterações genéticas ou moleculares que permitem tratamentos específicos. A indicação depende do tipo de tumor, do estágio da doença, dos resultados dos testes e dos tratamentos já realizados. Tumores neuroendócrinos pancreáticos possuem opções próprias, que podem incluir análogos da somatostatina, terapias direcionadas e tratamentos com radioisótopos em situações selecionadas.


O tratamento também pode envolver controle da dor, reposição de enzimas pancreáticas, suporte nutricional, tratamento do diabetes e procedimentos para aliviar obstruções das vias biliares ou do aparelho digestivo. Os cuidados paliativos podem ser integrados desde o diagnóstico para controlar sintomas e apoiar o paciente e sua família, independentemente do estágio.


Diabetes Tipo 1 e Tipo 2


O que é a diabetes?


O diabetes é uma doença crônica, formada por um grupo de doenças, caracterizadas pelo aumento da glicose no sangue, um açúcar essencial que serve como fonte primária de energia. A insulina, produzida pelo pâncreas, ajuda a glicose a entrar nas células. A condição está ligada à produção e ao uso da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas que ajuda as células a absorver a glicose. Quando o corpo não produz insulina suficiente ou a utilização de forma ineficaz, os níveis de glicose no sangue podem aumentar, levando a complicações de saúde a longo prazo.


Diabetes Tipo 1: Esta forma de diabetes é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca e destrói as células do pâncreas que produzem insulina. Como resultado, o corpo não produz insulina suficiente, e as pessoas com Diabetes Tipo 1 precisam tomar insulina diariamente.


Diabetes Tipo 2: É a forma mais comum de diabetes e está relacionada à resistência à insulina. Neste caso, o pâncreas produz insulina, mas o corpo não a utiliza eficientemente. Com o tempo, a necessidade por insulina supera a capacidade do pâncreas de produzi-la. O Diabetes Tipo 2 está frequentemente ligado a fatores como obesidade, falta de atividade física e dieta inadequada.


Diabetes pancreatogênico ou tipo 3c: Pode surgir quando uma doença ou cirurgia danifica o pâncreas e compromete sua capacidade de produzir hormônios. Está associado, por exemplo, à pancreatite crônica, ao câncer pancreático e à retirada parcial ou total do órgão. Como pode coexistir com insuficiência pancreática exócrina, o tratamento deve considerar tanto o controle da glicose quanto a digestão e o estado nutricional.


Sintomas do diabetes


Os sintomas de diabetes podem variar dependendo do tipo e da gravidade, mas geralmente incluem:


  • Sede excessiva e micção frequente: Devido aos altos níveis de glicose no sangue.
  • Fadiga: A falta de energia resultante da incapacidade do corpo de utilizar glicose eficientemente.
  • Visão embaçada: Causada por alterações nos níveis de fluido devido ao excesso de glicose no sangue.
  • Perda de peso inexplicada: Especialmente em Diabetes Tipo 1.

Tratamento do diabetes


O tratamento varia de acordo com o tipo de diabetes e pode incluir:


  • Monitoramento regular da glicose no sangue: Para manter os níveis dentro de uma faixa saudável.
  • Administração de insulina: Necessária para pessoas com Diabetes Tipo 1 e, às vezes, Tipo 2.
  • Medicamentos orais: Para ajudar a controlar os níveis de glicose no Diabetes Tipo 2.
  • Mudanças no estilo de vida: Incluindo dieta balanceada e prática de exercícios regularmente.


Nos casos relacionados a doenças pancreáticas, também pode ser necessário tratar a insuficiência pancreática exócrina, corrigir deficiências nutricionais e adaptar a alimentação. O acompanhamento deve ser individualizado, pois alguns pacientes podem apresentar maior variação da glicose e risco de hipoglicemia.


Quais exames avaliam o pâncreas?


Não existe um único exame indicado para todas as doenças do pâncreas. A investigação pode incluir:


  • Exames de sangue, como lipase, glicose, função hepática e outros marcadores
  • Ultrassonografia abdominal, especialmente para avaliar cálculos biliares
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética e colangiorressonância
  • Ecoendoscopia
  • Exames de fezes para investigar insuficiência pancreática
  • Biópsia, quando é necessário analisar uma lesão suspeita


A escolha depende dos sintomas, da hipótese diagnóstica, dos resultados anteriores e das condições clínicas de cada paciente


Prevenção e cuidados com o pâncreas


Dada a importância do pâncreas, a prevenção de doenças pancreáticas e os cuidados adequados com o pâncreas são fundamentais para a saúde geral. Aqui estão algumas estratégias essenciais para manter o pâncreas saudável:


Lembre-se: Nem todas as doenças pancreáticas podem ser prevenidas. Alterações genéticas, doenças autoimunes, características anatômicas e causas ainda desconhecidas também podem estar envolvidas. As medidas preventivas ajudam a reduzir alguns riscos, mas não substituem a investigação de sintomas.


Dieta e nutrição


  • Alimentação equilibrada: Uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras pode promover a saúde do pâncreas.
  • Evitar o excesso de gorduras: Dietas ricas em gorduras, especialmente gorduras saturadas, podem sobrecarregar o pâncreas.
  • Limitar o consumo de álcool: O consumo excessivo de álcool é uma causa conhecida de pancreatite, uma inflamação do pâncreas.


Estilo de vida saudável


  • Manter um peso saudável: Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento de fatores metabólicos podem contribuir para reduzir riscos relacionados à obesidade, ao diabetes e aos triglicérides elevados.
  • Exercício regular: A atividade física regular ajuda a manter um peso saudável e pode reduzir o risco de doenças pancreáticas.
  • Não fumar: O tabagismo é um fator de risco significativo para o câncer de pâncreas e outras doenças pancreáticas.


Monitoramento e detecção precoce


  • Avaliação conforme o risco: Não existe um único exame de rotina capaz de rastrear todas as doenças do pâncreas. Para pessoas sem sintomas e sem fatores de alto risco, o rastreamento de câncer pancreático não é realizado de forma geral. Exames específicos podem ser indicados diante de sintomas, alterações anteriores, histórico familiar importante ou síndromes genéticas associadas.
  • Conhecer os sintomas: Estar ciente dos sintomas de doenças pancreáticas, como dor abdominal, icterícia e perda de peso inexplicada, pode levar a um diagnóstico e tratamento precoces.


Gerenciamento de condições relacionadas


  • Controle do diabetes: O gerenciamento adequado do diabetes é vital, pois o pâncreas desempenha um papel fundamental na regulação da glicose.
  • Tratamento de cálculos biliares: Os cálculos biliares podem levar à pancreatite; portanto, o tratamento adequado é essencial.


Evitar toxinas e exposições nocivas


  • Cuidados no ambiente de trabalho: Pessoas expostas profissionalmente a solventes, pesticidas ou outros agentes químicos devem seguir as medidas de proteção ocupacional recomendadas para sua atividade. Não existe uma medida isolada capaz de prevenir todas as doenças pancreáticas.
  • Uso seguro de medicamentos: Alguns medicamentos podem estar associados à pancreatite em situações pouco frequentes. Nenhum tratamento prescrito deve ser interrompido por conta própria. A relação entre o medicamento e os sintomas deve ser avaliada pelo profissional responsável.


Perguntas frequentes


  • Quais são os primeiros sintomas de problemas no pâncreas?

    Os sintomas dependem da doença. Dor na parte superior do abdômen, náuseas, vômitos, perda de peso, fezes gordurosas, icterícia e alterações recentes da glicose podem ocorrer. Algumas doenças pancreáticas não provocam sintomas nas fases iniciais.


  • Onde é a dor causada pelo pâncreas?

    A dor costuma ocorrer na parte superior do abdômen e pode irradiar para as costas. Entretanto, localização e intensidade não confirmam a origem pancreática, pois problemas no estômago, vesícula, fígado, intestino e coração podem causar sintomas semelhantes.


  • Doença no pâncreas aparece no exame de sangue?

    Algumas alterações podem ser identificadas em exames de sangue, como aumento da lipase, mudanças na glicose ou alterações relacionadas à obstrução biliar. Resultados normais, porém, não excluem todas as doenças pancreáticas.


  • Toda doença do pâncreas causa diabetes?

    Não. O diabetes pode surgir quando a doença compromete significativamente as células produtoras de hormônios, mas isso não ocorre em todos os pacientes. Pancreatite crônica, cirurgia pancreática e alguns tumores podem aumentar esse risco.


  • Pancreatite pode virar câncer?

    A pancreatite não se transforma diretamente em câncer. No entanto, a pancreatite crônica está associada a maior risco de câncer pancreático em comparação com a população geral. O risco individual depende da causa, do histórico familiar, do tabagismo e de outros fatores.


  • É possível viver sem o pâncreas?

    Sim, mas a retirada total do pâncreas provoca necessidade permanente de insulina e de reposição de enzimas digestivas. O paciente precisa de acompanhamento médico e nutricional contínuo.



Cirurgião do Aparelho Digestivo | Dr. Guilherme Namur

As doenças do pâncreas variam desde alterações que precisam apenas de acompanhamento até condições que exigem atendimento de urgência. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, icterícia, falta de ar ou piora rápida do estado geral devem ser avaliados prontamente. Nos demais casos, a investigação adequada permite identificar a causa e definir o tratamento de forma individualizada.


Se você apresenta sintomas persistentes, possui alterações em exames ou precisa investigar uma possível doença pancreática, não deixe de buscar avaliação especializada.


Sou o
Dr. Guilherme Namur, Cirurgião do Aparelho Digestivo que une especialização na melhor universidade do país, rigor clínico e experiência cirúrgica em prol do bem-estar de pacientes. Agende sua consulta!



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Artigo escrito por

Dr. Guilherme Namur

Cirurgia do Aparelho Digestivo


O Dr. Guilherme Namur é Cirurgião do Aparelho Digestivo formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Cirurgia Geral e Digestiva pelo Hospital das Clínicas. Atua com foco no tratamento de cânceres do aparelho digestivo, especialmente em cirurgia pancreática de alta complexidade, além de ser referência em técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, sempre aliado a um cuidado preciso e humanizado com seus pacientes.

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